Nasce em

São Simão, - SP

 1925

Mudança para

São Paulo - SP

1932

Entra para o curso profissionalizante de entalhador, frequentando aulas de pintura e escultura furtivamente

1938

Mudança e 1º exposição na cidade do

Rio de Janeiro - RJ

 1949

Participa da 1º Bienal de São Paulo onde é premiado com o Prêmio aquisição

1951

Ganha bolsa como prêmio no Salão Nacional  

1952

Vai para a Europa

1954

Volta para São Paulo

1956

É inaugurada a

Casa de Cultura

Marcello Grassmann

em São Simão

1979

+2013

Marcello Grassmann
sua biografia por Zizi Baptista

Marcello Grassmann nasce em São Simão, no estado de São Paulo no ano de 1925. Sétimo filho dos nove que a professora D. Elpídia de Lima Brito teve com seu marido Otto Grassmann. A família permanece na cidade até 1932 quando se muda para a capital, São Paulo. Chegando em janeiro, acompanharam toda a movimentação da Revolução Constitucionalista até mesmo os bombardeios ao Campo de Marte, fundos da casa da família na rua Voluntários da Pátria, Zona Norte da cidade.

 

Permaneceram em Santana até a transferência de D. Elpídia para Vila Clementino entre 1934 e 35. Marcello neste período dividia a escola com as revistas em quadrinhos e olhava do alto o fim da rua para o vale por onde passava o bonde Santo Amaro, com o matagal ladeando a passagem.

Nessa ocasião já reconhecia quase todos os desenhistas das histórias em quadrinhos publicadas na época. Marcello diz que sua obsessão não era tanto pelas histórias, mas pelos vários estilos em que os desenhos eram feitos: ​“Ainda em São Simão ficávamos fascinados pelas imagens e histórias do Tesouro da Juventude. Então apareceram os suplementos infantis, algumas tentativas nacionais de desenhos tipo Tico-Tico que eram historietas baseadas em protótipos europeus e americanos, porém com uma temática nacional, e nesta salada de estilos e figuras imaginativas a criança que fui ficava fascinada pela movimentaçã​o das imagens”.

Uma transferência de D. Elpídia levou a família para um novo endereço, rua Cônego Eugênio Leite, zona oeste da cidade, a dois quarteirões do Cemitério São Paulo no ano de 1938. Os caminhos do menino passavam por onde ficavam as oficinas dos escultores de túmulos e mesmo dentro do cemitério onde uma miscelânea de esculturas desde Victor Brecheret até os acadêmicos mais chatos foram parte da sua formação. A mãe, professora, conhecia o diretor do Instituto Profissional Masculino onde havia os cursos de orientação profissional para jovens que tivessem acabado o primário e começassem a procura de uma carreira ou aprendizado, técnico ou artístico. Como não havia um curso de escultura propriamente dito Marcello opta pelo entalhe que na época lhe pareceu mais próximo. Furtivamente frequentava as aulas de pintura e escultura. Deste período ficaram os amigos Octavio Araújo e Luís Sacilotto.

 

Terminado o Instituto, formado e desempregado. O desencontro entre o ensino e a realidade da profissão de entalhador deixaram Marcello com uma nova procura, a expressão artística conjuntamente com a ampliação de interesses. De 1939 a 1942 duas exposições marcam os jovens egressos do Instituto Profissional Masculino: artistas franceses impressionistas, modernos, contemporâneos e românticos, na segunda a pintura abstrata. Nesta altura os jovens já tem contato pessoal com artistas do modernismo brasileiro: Bonadei e Flávio de Carvalho. A década de quarenta avança trazendo a primeira exposição no Rio de Janeiro, em 1949 muda-se para esta cidade onde frequenta as aulas de Enrique Oswald. Em uma individual sua conhece pessoalmente Oswaldo Goeldi de quem admirava o trabalho desde os tempos do Instituto, via suas ilustrações para o Suplemento Literário do jornal A manhã do Rio de Janeiro. 

1951 chega, os jovens Marcello, Aldemir (Martins) e Franz (Kraicheberg) trabalham como operários na montagem da primeira Bienal de São Paulo participando também com suas obras, a Marcello é dedicado o prêmio aquisição. Finda a Bienal segue para a Bahia com Mario Cravo que conhecera no evento, esperando por eles algo como vinte pedras litográficas, presente ao artista baiano de Cicillo Matarazzo. Conhecedor dos rudimentos desta arte, aprendida com Poty em 49 no Liceu do Rio de Janeiro, mesmo sem prensa as pedras são usadas e impressas com colher, como xilogravuras.

 

1954 quando finalmente chega o dinheiro da bolsa, ganha em 1952 no Salão Nacional, segue para o velho continente. Quarenta litografias, dois cadernos e dois anos depois volta ao Brasil. Mora em Santo Amaro, próximo ao Cemitério Campo Grande. Lá Marcello desenvolve a maior parte de sua obra de desenhista e gravador. Forma dois irmãos impressores, Otto (falecido) e Roberto. Participa de outras Bienais nacionais e internacionais, expõe também dentro e fora do país. Em 1979 é inaugurada a Casa de Cultura Marcello Grassmann onde moravam seus avós em São Simão. Muda-se para sua chácara na grande São Paulo em meados dos anos oitenta. Várias são as exposições, individuais e coletivas neste período. Reconhecido como mais proeminente gravador e desenhista nacional corre o mundo com seus trabalhos.

 

Na Pinacoteca do Estado de São Paulo está maior conjunto de suas gravuras compradas em 1969 pelo governador Abreu Sodré. Destacam-se as exposições em comemoração aos 25 anos dede gravura no MAM\ SP (1969), 40 anos de gravura, Pinacoteca do Estado de São Paulo (1984). O mundo Mágico de Marcello Grassmann em comemoração aos seus 70 anos, MASP \ SP (1995). Marcello Grassmann, desenhos. Instituto Moreira Salles, SP\RJ\MG (2006). Sombras e sortilégios, MON \ Curitiba, PR (2010). Segue trabalhando até sua morte em junho de 2013.

Principais referências/citações bibliográficas em Livros, Dicionários, Enciclopédias e Catálogos de Acervos: 

Acervo:

. Acervo da Pinacoteca Municipal. São Paulo, Prefeitura Municipal de São Paulo, Centro Cultural São Paulo, Divisão de Artes Plásticas. 1996.  

. Acervo do Palácio do Governo do Estado de São Paulo em Campos do Jordão. Catálogo. São Paulo, Imprensa Oficial do Estado S/A (IMESP).  

. Arte no Brasil. São Paulo, Abril S/A Cultural e Industrial. 1979. 2v. 

. Artistas Gravadores do Brasil. São Paulo, Volkswagen do Brasil S/A. 1984.  

. AMARANTE, Leonor. As Bienais de São Paulo.1951 a 1987. São Paulo, Ed. Projeto/ Banco Francês e Brasileiro S/A - 1989.  

. BARDI, Pietro Maria. História da Arte Brasileira. São Paulo, Edições Melhoramentos. 1975.  

. BARDI, Pietro Maria. O Modernismo no Brasil. São Paulo, Banco Francês e Italiano para a América do Sul S/A. 1978.  

. BARDI, Pietro Maria. Profile of the New Brazilian Art. São Paulo,Livraria Kosmos Editora. 1970. 

. BEUTTENMÜLLER, Alberto. Gravura Brasileira: História e Crítica. São Paulo, Banespa Cultural. 1990. 

. CAVALCANTI, Carlos. Dicionário brasileiro de artistas plásticos. Brasília/DF, Instituto Nacional do Livro. 1973-1980. 4v.

. CORÇÃO, Marcelo. Marcello Grassmann - Dez Desenhos. São Paulo, Editora Cultrix. 1976. 

. DASILVA, Orlando. A Arte Maior da Gravura. São Paulo, Editora Espade. 1976.  

. Destaques da Coleção UNIBANCO. Catálogo de exposição. Texto original de Antonio Fernando De Franceschi, com referência às obras do artistas existentes na coleção, mas sem a inclusão      das mesmas pela curadoria na exposição. São Paulo, Instituto Moreira Salles, 1999. 

. Dicionário das Artes Plásticas no Brasil. Rio de Janeiro/RJ, Editora Civilização Brasileira, 1969.  

. FERREIRA, Ilsa Kawall Leal (org.). Do Modernismo à Bienal. São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo. 1982. 

. FERREIRA, Orlando da Costa. Imagem e letra. Introdução à bibliologia brasileira. São Paulo, Edições Melhoramentos/ Editora da Universidade de São Paulo - EDUSP. 1977. 

. GRAÇA COUTO. Arte e Artistas Plásticos no Brasil - 2000. São Paulo. 2000.  

. GRASSMANN, Marcello. Texto de apresentação de Pedro Manuel. São Paulo, Art Editora. 1984. 

. GRASSMANN, Marcello. Anos 50 - Desenhos. Texto de apresentação Luís D’Horta. São Paulo, Empório Cultural, Coleção Branco e Preto. 1991.  

. Gravura. Arte Brasileira do Século XX. Livro/ Catálogo. Texto de apresentação de Leon Kossovitch, Mayra Laudanna e Ricardo Resende. São Paulo, Instituto Cultural Itaú. 2000.  

. Gravuras: compreensão e conservação. Cambona Centro de Arte. Coordenação Maria Helena Webster e Maria da Graça Gastal. Porto Alegre/RS. 1984. 

. KAWALL, Luiz Ernesto Machado. Artes Reportagem. São Paulo, Centro de Artes Novo Mundo. 1972. 

. KLINTOWITZ, Jacob. Mestres do desenho brasileiro. São Paulo, Volkswagen do Brasil. 1983.  

. KLINTOWITZ, Jacob. Casa Grassmann. São Paulo, Editora Espade. 1979. 

. KLINTOWITZ, Jacob. Versus: 10 anos de crítica de arte. São Paulo, Editora Espade. 1978.

. MORAIS, Frederico. Cronologia das Artes Plásticas no Rio de Janeiro (1816-1994). Rio de Janeiro/RJ, Topbooks. 1995.

. NEISTEIN, José. A Arte no Brasil: dos primórdios ao século vinte. Uma bibliografia seleta, anotada. Washington/ EUA, Brazilian-American Cultural Institute- SP, Livraria Kosmos Editora. 1997. 

. NEISTEIN, José. Feitura das Artes. São Paulo, Coleção Debates, Editora Perspectiva. 1981.  

. Pinacoteca do Estado de São Paulo. (Col. Museus Brasileiros, v.6). Rio de Janeiro- RJ. Fundação Nacional de Arte/Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo/ Pinacoteca do Estado, 1982. 

. Pinacoteca do Estado. Catálogo Geral de Obras. Supervisão Geral de Maria Cecília França Lourenço. São Paulo, Imprensa Oficial  do Estado S/A (IMESP). 1988. 

. Pinacoteca do Estado (col. Museus brasileiros n. 6). Rio de Janeiro - RJ, Fundação Nacional de Arte/ Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. 1982.  

. PONTUAL, Roberto. Arte/Brasil/Hoje/50 Anos Depois. São Paulo, Collectio Artes. 1973.  

. PONTUAL, Roberto. Dicionário das Artes Plásticas no Brasil. Rio de Janeiro/RJ, Editora Civilização Brasileira. 1969. 

. TEIXEIRA LEITE, José Roberto. A Gravura Brasileira Contemporânea. Rio de Janeiro/RJ, Editora Expressão e Cultura. 

Retratos:

ESTEVES. Juan. Cinqüenta e cinco portraits. Catálogo. São Paulo, D’Lippi Arte Editorial. 2000. il. (Exposições organizadas no Museu da Imagem e do Som (MIS), São Paulo. 2000; Pinacoteca Benedicto Calixto, Santos/SP. 2001 e Fundação Nacional de Arte (FUNARTE), Rio de Janeiro/RJ. 2001).  

SCIPIONI, Lamberto. Cores & Formas: seus criadores. Catálogo da exposição no Museu de Arte de São Paulo (MASP), São Paulo, c. 1985. 

TORRE, Marta. 12 Gravadores Paulistas - Ensaio Fotográfico. Edição da autoria. São Paulo. 1994. 

 

Títulos honoríficos: 

1973 - Ordem do Rio Branco (Itamaraty). 

1979 - Cidadão simonense (Prefeitura Municipal de São Simão/SP). 

1979 - Medalha Mário de Andrade (Governo do Estado de São Paulo). 

Obras em instituições culturais/acervos públicos oficiais: 

Biblioteca Municipal Mário de Andrade, São Paulo; Biblioteca Nacional, Paris/França; Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro/RJ; Fundação Castro Maya (Museu Chácara do Céu e Museu do Açude), Rio de Janeiro/RJ; Instituto de Estudos Brasileiros/Coleção Mário de Andrade, Universidade de São Paulo (IEB-USP), São Paulo; Instituto Itamaraty, Brasília/DF; Instituto Moreira Salles (IMS), Poços de Caldas/MG; Museu de Arte Contemporânea (MACC), Campinas/SP; Museu de Arte Contemporânea (MAC-USP), São Paulo; Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis/SC; Museu de Arte (MASP), São Paulo; Museu de Arte Moderna de Nova York, Nova York/EUA; Museu de Arte Moderna (MAM), São Paulo; Museu de Arte Moderna (MAM), Rio de Janeiro/RJ; Museu do Banco do Estado de São Paulo S/A (BANESPA), São Paulo; Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), Rio de Janeiro/RJ; Museum of Fine Arts, Dallas/EUA; Museum of Rhode Island, Nova York/EUA; Pinacoteca do Estado, São Paulo; União Pan-Americana, Washington/EUA.  

Publicação de álbuns: 

1949 - 7 álbuns de xilogravuras, também impressas pelo artista, com  edições de 20 álbuns para cada coleção de gravuras, os sete estão na Biblioteca Mário de Andrade - SP. 

1968 - Marcello Grassmann - 10 gravuras em metal. Texto de  apresentação Marcello Corção. São Paulo, Edição Júlio Pacello. 

1976 - Marcello Grassmann - 10 desenhos. Texto de apresentação de Marcelo Corção. São Paulo, Editora Cultrix.

2010 - Coleção Caderno de Desenhos: Marcello Grassmann, Ed. Unicamp.

2013 - Marcello Grassmann 1942-1955 / Leon Kossovitch e Mayra Laudanna/ Edusp - SP.